Incêndio atinge Hospital Badim, na Tijuca na noite desta quinta-feira (12); Veja nas imagens

Pelo menos uma pessoa morreu. Fogo teria começado em um gerador do prédio antigo da unidade de saúde

Fotos: Gilvan de Souza / Agencia O Dia

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Rio – Pelo menos uma pessoa morreu em um incêndio de grandes proporções que atingiu o Hospital Badim, na Tijuca, Zona Norte do Rio, no início da noite desta quinta-feira. A unidade de saúde é uma das mais conhecidas da região e é considerada referência em diversas especialidades. O incêndio teria começado em um gerador do prédio antigo do hospital, próximo a um CTI que passou por obras recentemente. Às 21h30 os Bombeiros informaram no local que o foco de incêndio no subsolo do prédio havia sido controlado.

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Estavam internados na unidade 103 pacientes. Eles foram levados às pressas para a calçada da rua, e depois transferidos em ambulâncias para o Hospital Israelita Albert Sabin, Hospital São Vicente de Paulo e para os hospitais da Rede D’Or. O Hospital Municipal Souza Aguiar recebeu quatro pacientes que têm quadro de saúde estável. O vice-governador Claudio Castro disse que 69 pessoas foram resgatadas por ambulâncias do estado. “Até agora (22h20), 69 pessoas foram resgatados pelas ambulâncias do estado, faltam as ambulâncias do município e as particulares. Ainda não descartamos mais mortes”, afirmou.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio informa que apoia o atendimento, recebendo pacientes e auxiliando na transferência, disponibilizando ambulâncias, por exemplo.
A Rede d’O informou que enviou ambulâncias de outros hospitais da rede para transferir os pacientes. Muitos foram levados para hospitais da Tijuca, um dos bairros da zona norte mais bem servidos de hospitais particulares.
A Secretaria de Estado de Saúde informou que também está auxiliando na retirada dos pacientes. Em nota, a secretaria disse que, ao todo, 15 ambulâncias dos hospitais Getúlio Vargas, Carlos Chagas, Adão Pereira Nunes e de diversas unidades de Pronto Atendimento (UPAs) foram enviadas ao local. Unidades hospitalares do estado também disponibilizaram leitos para pacientes feridos.
Além das ambulâncias, o Instituto de Assistência aos Servidores do Estado (Iaserj), que fica a poucos metros do local do incêndio, recebeu pacientes da unidade, que foram estabilizados e transferidos para outras unidades.

Dezenas de médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem estão organizados de prontidão em frente ao prédio novo do hospital. Profissionaisd e outras unidades de saúde também estão no local. O grupo está com máscaras, luvas e roupa adequada, aguardando convocação para auxiliar nos atendimentos.
O Corpo de Bombeiros registrou o primeiro chamado por volta das 17h50 e está combatendo as chamas desde então, com cerca de dez caminhões. No início, os pacientes do CTI 1 foram transferidos para a calçada da rua. Por volta das 19h40, os pacientes do CTI 2 começaram também a ser transferidos.
Houve muita correria e tensão durante o resgate. Dois prédios e uma creche da região abriram as portas para receber os pacientes antes da chegada das ambulâncias. Segundo testemunhas, algumas pessoas inalaram fumaça e foram atendidos pelos militares, após a chegada das primeiras ambulâncias. Casos dramáticos também foram registrados, com familiares pedindo socorro a parentes. Colchonetes foram colocados na frente da unidade de saúde para receber os pacientes que, até agora, estão sendo transferidos. Populares também estão ajudando no resgate.
Filha de um paciente, de 87 anos, conta que o pai desceu as escadas sozinho e foi levado para uma creche da região. Segundo ela, o senhor depende de um aparelho para sobreviver que ficou dentro da unidade.
“Meu pai precisa de um neuro-estimulador para sobreviver. Queria pegar no hospital, mas os bombeiros não deixaram”, lamentou.
Uma outra mulher, que trabalhava de acompanhante, tentava localizar a paciente que ela tomava conta. A cuidadora estava ao lado da sogra da doente. Elas queriam saber para qual hospital a senhora foi levada.
“Minha sogra estava acamada há cinco meses pois depende de uma sonda. É lamentável, pois ela deveria ter alta”. Uma síndica de um prédio vizinho distribuiu água para pacientes, vítimas e profissionais dos hospitais. Ela também emprestava cadeiras para os pacientes que estavam internados.

Atendimento na rua

A luz onde fica o hospital, na região do Maracanã, foi desligada para que as equipes de socorro pudessem trabalhar com mais tranquilidade. Os pacientes foram colocados na calçada na Rua São Francisco Xavier, interditada ao tráfego pela Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio) para receber os primeiros socorros.
O Centro de Operações da Prefeitura informou que a rua São Francisco Xavier está totalmente interditada entre a Avenida Professor Manuel de Abreu e a Rua Isidro de Figueiredo, por conta do incêndio.
O desvio é feito pela Avenida Professor Manuel de Abreu, na pista sentido Radial Oeste. Equipes dos Bombeiros, a Polícia Militar e da CET-Rio estão no local. Há congestionamento na região.
A direção do Hospital Badim informou, em nota, que, “está empenhada em prestar os devidos socorros necessários aos pacientes”.

 

Confira a nota completa:

 

“A Direção do Hospital Badim informa que, ao que tudo indica, um curto circuito no gerador do prédio 1 do hospital provocou um incêndio, espalhando fumaça para todos os andares do prédio antigo. Todos pacientes do CTI 1 já foram retirados e estão recebendo os primeiros atendimentos na rua Arthur Menezes.

Nesse momento, os pacientes do CTI 2, que tem 20 leitos, também estão sendo retirados.

Toda a direção do Hospital Badim está empenhada em prestar os devidos socorros necessários aos pacientes, que estão sendo transferidos para o Hospital Israelita Albert Sabin e para os hospitais da Rede D’Or, do qual o Badim é associado.”

 

Especialista critica hospital

 

O especialista em prevenção e combate a incêndios, Wesley Pinheiro, criticou o Hospital e a legislação. “Aqui no rio, não existe uma fiscalização muito severa quanto a incêndios. Precisa haver treinamentos para esse tipo de situação. Quando o hospital cumpre, ele cumpre pela metade, quer fazer do jeito dele, no horário dele…”, comentou o especialista.

Para Wesley, que atuou durante 10 anos como responsável pela Brigada de Incêndio da COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falta planejamento. “Os pacientes deveriam ser retirados imediatamente por uma ambulância. Não podiam ter ficado na calçada, em uma área contaminada, inalando fumaça, expostos a bactérias”. “Não adianta instalar um sistema de incêndio, se não houver manutenção dele, se não houver treinamento”, completou.

Fonte Agência o Dia
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