Advogado especialista em execução penal e ex-presidente da Comissão de Assuntos Carcerários da OAB, Fábio Piló afirma que, atualmente, a situação é tão grave quanto a superlotação nas unidades. “Não temos servidores para atuar nem de acordo com as vagas atuais, imagina se essas novas forem inauguradas”, diz.
Piló destaca que a estruturação das cadeias públicas pelo interior deve ser outra prioridade. “Esses locais não foram construídos para abarcar e fazer a guarda de presos, mas, infelizmente, isso é uma realidade”.
Mais investimento 
O investimento na melhoria do sistema se tornou inevitável. Quem afirma é o sociólogo, ex-secretário-adjunto de Segurança Pública do Estado, ex-coordenador do Instituto Minas pela Paz e, agora, à frente do Centro de Estudos e Pesquisa em Segurança Pública da PUC Minas, Luiz Flávio Sapori.
Para ele, mesmo que não supram por completo a necessidade do Estado, as vagas anunciadas são bem-vindas. “Até porque estamos diante de um problema crônico e as forças de segurança aumentaram o poder repressivo, ou seja, estão prendendo cada vez mais”, diz.
A aplicação de recursos, ressalta Sapori, também precisa focar a tecnologia. “A melhoria dos equipamentos alivia a carência de agentes. Além disso, é possível alcançar mais eficiência com os servidores disponíveis”, afirma o especialista.
Por nota, a Vale informou apenas que está em negociação com o governo de Minas “para discutir temas referentes à segurança do Estado”. A Sejusp afirmou que realizou processo seletivo para composição de quadro de reserva de servidores e conseguiu “3.918 candidatos aptos”. O órgão destacou que a contratação se dará mediante “necessidade da Administração Pública”.
Durante três dias, a reportagem tentou contato com o Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária de Minas Gerais (Sindasp), mas ninguém foi localizado para falar sobre o assunto.