Comida natural para pets é nova tendência do mercado brasileiro

Setor movimenta R$ 18,9 bilhões por ano; cada família que possui um animal no país costuma gastar quase R$ 200 por mês com ele

Divulgação

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Muitos donos de pets estão optando por abandonar a ração industrializada e passar a alimentar seus animais com comida natural — uma mudança positiva para eles, segundo a veterinária Bárbara Freire, da Doghero. 
 

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“O organismo dos cães está preparado para receber grandes quantidades de proteína, o que não ocorre na maioria das rações. O recomendado é que a dieta seja equilibrada e composta por proteínas, gorduras de boa qualidade, carboidratos, vitaminas, minerais e água. A alimentação natural pode proporcionar todos esses nutrientes, por isso é mais indicada do que a ração industrializada”, disse ela ao IG.
 
Foi o que fez a psicóloga Ana Carolina Oliveira com seu cachorro, um yorkshire de porte pequeno com quem vive em São Paulo. Hoje com seis anos, o cãozinho comeu ração até os quatro, quando, após uma consulta veterinária, foi orientada a alimentá-lo com legumes e carne cozida sem temperos ou condimentos. A diferença se vê tanto em sua saúde como na forma como ele come. 
 
“Ele fica pedindo a comida no pratinho, coisa que nunca fez com a ração”, conta. “Além de tudo, é mais fácil, porque eu preparo a comida dele no final de semana, deixo no freezer e vou tirando aos poucos todos os dias para dar a ele. É econômico”, completa.
 
A nova forma de alimentar os pets, no entanto, também está mudando o setor do mercado de pets, em que novas empresas e pequenos empresários apostam na comida natural para alavancar seus negócios. Segundo o Sebrae, de todos os interessados em investir no mercado pet, cerca de 40% buscam consultoria para o setor de preparo de comida para animais.
 
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), em 2016 o varejo e os serviços pets tinha um faturamento médio anual de R$ 18,9 bilhões — 60% desse valor ligado à venda de comida. Cada família brasileira que possui um pet tende a gastar cerca de R$ 200 com ele. 
 
“Se o animal faz parte da família, o dono também quer um consumo consciente para ele, com uma alimentação com menos sal, açúcar e mais ingredientes orgânicos, sem conservantes e corantes. É uma mudança de atitude das pessoas que serve para elas e para seus animais”, disse a consultora do Sebrae Márcia Giubertoni à Gazeta do Povo. 
 
O Sebrae alerta, no entanto, que todo empresário que deseja investir no ramo de comida saudável para animais precisa de uma autorização do Ministério da Agricultura. As regras e requisitos são os mesmos padrões de higiene e cuidados que os fabricantes de rações e, por isso, muitos pequenos negócios acabam por trabalhar informalmente, optando em fazer o produto direto na casa do cliente. 
 
Curiosamente, a novidade não é tão “nova” assim: até nos anos 1970, os donos de animais costumam alimentá-los com comida natural — mesmo as sobras do que comiam. As rações industrializadas surgiram no Brasil na década de 70 para facilitar a vida dos donos, principalmente nas grandes cidades, em que o setor de serviços estava em crescimento. Hoje, a tendência ainda é restrita, mas tende a crescer.
 
Segundo Freire, uma dieta natural adequada ao animal pode incluir proteínas (peixe, frango, boi, ovos, cordeiro, porco, coelho, além de vísceras de animais, como fígado, língua, coração, baço, rins, pulmão), carboidratos e fibras (abobrinha, chuchu, vagem, rúcula, brócolis, cenoura, beterraba, inhame, batata doce, mandioca, ervilha, arroz integral, lentilha, etc) e gorduras (óleo de coco, óleo de borragem, óleo de peixe, banha suína). 
 
Ingredientes como carambola, cebola, chocolate, leite, pão, salsicha, uva, café e macadâmia devem ser evitados, porque podem ser tóxicos para eles.
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