Sete em cada dez pessoas que tentam obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não passam no teste de direção em Belo Horizonte. Dados do Departamento de Trânsito (Detran-MG) apontam que, no primeiro semestre, o índice geral de aprovação para a categoria B (carros) na capital foi de apenas 26%, o menor dos últimos quatro anos.

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Nos exames para motocicletas – categoria A – os índices são um pouco melhores, mas ainda assim chamam a atenção, já que menos da metade dos candidatos consegue a licença. Em julho, a média de reprovações em BH chegou a 58%.

Em ambos os casos, garantem os especialistas, as razões para o mau desempenho são as mesmas: falta de preparo e nervosismo. Grande parte dos candidatos opta pelo pacote mínimo de 25 horas/aula e vai para o exame sem dominar completamente o veículo.

“O fator econômico influencia demais, já que muita gente compra os pacotes básicos e acha que isso é suficiente”, explica o presidente do Sindicato dos Proprietários de Centros de Formação de Condutores de Minas Gerais (SiproCFC-MG), Alessandro Dias. “O processo de aprendizado é individual. Há candidatos que conseguem se preparar com 25 horas de aulas, mas não é a maioria”, acrescenta.

Autoescola

Aluna do instrutor André Luiz, a jovem Poliana está ansiosa pelo teste, mas tem consciência de que precisa se preparar mais

Consciência

A decisão de ir para o exame de direção após a conclusão da carga horária obrigatória é apenas do aluno. No entanto, a orientação do instrutor dentro da autoescola pode fazer toda diferença no resultado final.

A estudante Poliana Gualberto, de 19 anos, aguarda com ansiedade pelo momento do teste, mas tem consciência de que as aulas iniciais não foram o bastante para deixá-la preparada.

“Essa é minha 48ª aula de direção. Ainda devo fazer mais dez para ficar totalmente pronta. Prefiro ganhar segurança em todas as manobras para ter mais chances de tirar a carteira na primeira tentativa”, relata.

A decisão da jovem foi orientada pelo instrutor André Luiz de Melo, que mede o desempenho da aluna em cada etapa e informa a ela, por meio de gráficos, os pontos que precisam ser aperfeiçoados.

“Seguimos parâmetros para fazer com que o aluno desenvolva as habilidades essenciais para a aprovação no exame. Assim, mesmo com alguma dificuldade emocional, a probabilidade de êxito aumenta”, explica o instrutor.

Aperfeiçoamento

A qualidade dos serviços prestados pelas autoescolas mineiras também tem sido monitorada. O Detran-MG informou, por nota, que neste ano promoveu a requalificação de diretores e instrutores de trânsito de 133 empresas. Além disso, outros 173 centros de formação estão convocados para um curso previsto para o próximo mês.

Segundo o órgão, participam do processo as empresas “que não alcançaram média igual ou superior a 60% na avaliação de desempenho” nos exames de legislação de trânsito. Além disso, explica a nota, o simulador de direção e a prova prática em duas etapas já são medidas adotadas para aperfeiçoar a formação de condutores no Estado.

A melhoria da qualidade das aulas práticas também pode contribuir para mais aprovações, reforça o professor de educação para o trânsito e segurança viária Agmar Bento, do Departamento de Engenharia de Trânsito do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).

“Falta orientação teórica sobre o manuseio do veículo. Às vezes, o aluno erra uma baliza porque não relaciona o movimento do volante com o do carro. Ele não entende o que está fazendo. Portanto, não se trata apenas de mais aulas, mas também de elevação da qualidade do ensino”, afirma.