Concurso da PM do Paraná exige “masculinidade” e causa indignação

Descrição do anexo II solicita que candidatos “não se impressionem com cenas violentas, suportem vulgaridades e não se emocionem facilmente”

Foto Divulgação

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O edital de concurso para cadetes da Polícia Militar do Paraná (PR) tem causado indignação devido à uma cláusula que exige “masculinidade” dos candidatos. O documento estabelece que os participantes deverão ser submetidos a um teste psicológico para avaliar se encaixam-se no critério exigido pela banca. O certame foi aberto recentemente, com previsão de salário inicial de R$ 9,5 mil. A informação é do site Gazeta do Povo.

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O anexo 2 traz o perfil profissiográfico esperado para atuar na função e prevê que, na característica de masculinidade, a pessoa tenha capacidade de “não se impressionar com cenas violentas, suportar vulgaridades, não emocionar-se facilmente, tampouco demonstrar interesse em histórias românticas e de amor”.

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Entidades sociais se posicionaram a respeito da situação e demonstraram indignação com as exigências. A Aliança LGBTI e o Grupo Dignidade emitiram nota conjunta questionando os termos do edital, “considerados discriminatórios e machistas, além de incompatíveis com atitude adequada de integrantes da Polícia Militar”.

As organizações também apelaram a primeira mulher a governar o Paraná, Cida Borghetti (PP), e a primeira mulher a comandar a PM do estado, coronel Audilene Rosa de Paula Dias Rocha, para que o edital seja revogado.

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Muitos internautas divulgaram opiniões a respeito do episódio do concurso da PM. Para a maioria, a decisão de utilizar a masculinidade como critério de avaliação nada mais é do que preconceito. “Fui dormir em 2018 e acordei em 1718 com o concurso da PM do Paraná colocando ‘masculinidade’ como critério em avaliação psicológica. É tosco num nível tão absurdo que não sei nem por onde começar a problematizar”, diz um tweet.

O certame para cadetes da PM é um dos mais concorridos do Paraná. Estão em disputa 16 vagas – sendo 14 gerais e 2 para afrodescendentes. O concurso é aberto para ambos os sexos, mas com uma cláusula que condiciona até a metade das vagas para as mulheres. Ou seja, no máximo, oito mulheres serão chamadas, mesmo que tenham notas superiores às dos homens.

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