PT impõe mistério sobre Dilma

Apesar de aliados, petista evitou falar sobre a candidatura ao Senado Federal

Foto Fred Magno

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Incerteza. Em evento de lançamento da pré-candidatura de Lula, em Contagem, Dilma Rousseff se esquivou de falar sobre seu futuro

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Para os integrantes do diretório nacional do PT, a candidatura de Dilma Rousseff ao Senado por Minas Gerais já é realidade. No entanto, alguns integrantes do PT mineiro ainda mantêm cautela quanto ao nome da ex-presidente na chapa.

Na última sexta-feira, durante evento de lançamento da pré-candidatura de Lula à Presidência da República, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffman, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia Jacques Wagner fizeram pronunciamentos já em clima de pré-campanha de Dilma ao Senado.

“Na terra de seu algoz (Aécio Neves), Dilma vai pisar em seu adversário e será eleita para o Senado”, bradou Haddad, para arrancar aplausos e gritos de apoio da militância.

Ao final do evento, no entanto, a própria ex-presidente Dilma Rousseff, em rápida e descontraída conversa com a reportagem de O TEMPO, evitou falar sobre a candidatura. “O Carnaval já chegou? Não, né? Quando o Carnaval chegar, a gente conversa direito sobre isso”, contou, aos risos, a ex-presidente, mantendo tom misterioso.

Já o deputado federal Odair Cunha (PT-MG), ex-secretário de Governo de Minas e um dos principais articuladores da chapa petista no Estado, foi mais direto quanto à incerteza sobre a presença de Dilma Rousseff nas urnas mineiras. “A presidente é um nome que o PT também apresenta ao Senado, mas isso ainda há tempo para discutir. Na política, a gente aprende que tempo é para ser usado”, disse.

Na avaliação de um articulista do PT nacional, a fala de Odair Cunha se trataria, na verdade, de uma tática para não irritar interlocutores do MDB, que ainda estariam em negociação para manter ou não o apoio à reeleição de Pimentel – a entrada de Dilma no cenário eleitoral de Minas, por meio de uma imposição do diretório nacional, foi um dos motivos da ruptura entre o MDB e o PT no Estado. Os emedebistas contavam com pelo menos uma vaga ao Senado na chapa de Pimentel.

Para o deputado estadual Durval Ângelo (PT), que é líder do governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o nome de Dilma já está, de fato, confirmado para a disputa ao Senado. “As informações da direção nacional e estadual do PT são de que a candidatura de Dilma a senadora por Minas já está definida”, contou. Ainda segundo o petista, Dilma deve montar sua estrutura de campanha eleitoral em julho.

Ajuda. Apesar de a entrada de Dilma no cenário eleitoral do Estado ter despertado preocupação de membros do PT mineiro, há o entendimento interno de que a vinculação de seu nome com a de Fernando Pimentel ajude na campanha à reeleição do governador.

Nessa avaliação, consta a ideia de que a impopularidade do governo Michel Temer (MDB), que a sucedeu, trouxe à tona um sentimento de que foi feita uma injustiça contra Dilma. Por outro lado, a presença da ex-presidente deve dificultar a construção de alianças partidárias – deputados federais que votaram pelo impeachment em 2016, por exemplo, já demonstram constrangimento com a possibilidade de subir no palanque com a petista.

Fonte O Tempo
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