Luta por migalhas na greve que não acaba

As filas em postos nessa segunda-feira (28) foram gigantes; com gôndolas vazias, supermercados e sacolões tiveram movimento intenso e preços nas alturas

Nessa segunda-feira (28), registros de filas enormes e caos nos poucos estabelecimentos do país que tinham bombas funcionando (Foto Ramon Bitencourt)

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O presidente Michel Temer tem “absoluta convicção”, conforme disse nessa segunda-feira (28), de que o movimento dos caminhoneiros termine hoje em todo o país.

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Mas, mesmo que sua previsão se confirme, o que é muito pouco provável, os reflexos vão continuar por um bom tempo na economia e na vida do consumidor. Quem está com o carro parado na garagem com o tanque vazio não vai conseguir enchê-lo tão rápido, pois seu vizinho também tem o mesmo problema, e o combustível chega a conta-gotas ao varejo. Nessa segunda-feira (28), registros de filas enormes e caos nos poucos estabelecimentos do país que tinham bombas funcionando. A história deve se repetir também hoje, apesar de as forças de segurança estarem conseguindo liberar a distribuição das refinarias, escoltando caminhões-tanque com combustível.

Contrariando os desejos do Planalto, foram contabilizadas nessa segunda-feira (28) 556 interdições em estradas federais de todo o país, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. O maior registro oficial desde quinta-feira. Sinal de que o movimento, bancado mais por caminhoneiros autônomos, contrariando alguns sindicatos e associações, continua.

A proposta do governo federal de reduzir o preço do litro do diesel em R$ 0,46, promovendo corte de impostos sobre o combustível (e pode ter certeza de que tributo de algum outro produto vai subir para compensar isso), não surtiu o esperado efeito imediato.

Enquanto a incerteza continua, o desabastecimento é realidade. Supermercados e sacolões, com gôndolas cada vez mais vazias, tiveram movimento grande nessa segunda-feira (28), com pessoas querendo estocar alimentos por medo do efeito prolongado da paralisação dos caminhoneiros. Com a demanda grande e a oferta nem tanto, o que se vê são preços galopantes. Batata e cenoura, por exemplo, encareceram 100% em uma semana. Leite, jogado fora no chão das fazendas por não ter como sair de lá sem caminhão, já subiu 94% em cinco dias. Reflexos de uma greve que parece não ter fim. 

Fonte O Tempo
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