A explosão de um telefone celular em uma casa em Belo Horizonte, enquanto o aparelho era recarregado, na última semana, acende um alerta. O caso não foi isolado. Somente em 2018, outras seis ocorrências do tipo foram registradas no país.
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Na sexta-feira, o superaquecimento da bateria do equipamento, que estava em cima de uma cama e ligado na tomada, deixou um rastro de destruição e provocou a queda de parte do telhado da residência, localizada na região da Pampulha. Um casal de idosos, de 75 e 95 anos, foi socorrido após inalar fumaça.

Já no distrito de Bom Jesus do Rio Preto, em Inhapim, no Leste de Minas, há exatamente uma semana, mais um susto. O colchão e a estrutura de madeira da cama foram completamente queimados com a explosão de um celular. As chamas deixaram marcas também nas paredes do quarto. Por sorte ninguém se feriu.

Mesmo sem ter estatísticas, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais afirma que a quantidade de ocorrências do tipo tem aumentado. De acordo com o tenente Herman Ameno, embora possa acontecer em qualquer lugar, há características semelhantes na maioria dos relatos.

“Normalmente somos solicitados em imóveis mais simples, onde há ligações de energia irregulares, os chamados ‘gatos’, e fios desencapados. Nesses locais, os riscos de acidentes com celulares são maiores”, frisa.

Atenção

Porém, cuidados precisam ser tomados mesmo em edificações onde as instalações elétricas estão em bom estado. Professora de química do Cefet-MG, Jacqueline Amanda Figueiredo dos Santos ressalta que a utilização de baterias e carregadores falsificados pode terminar em tragédia.

Segundo a especialista, esses produtos não são produzidos com a mesma garantia de qualidade que os originais. Além disso, ela diz que conectar vários telefones na mesma tomada pode provocar incêndios.

A bateria dos aparelhos é o componente que merece atenção especial, pois pode ser a principal motivadora da explosão. De acordo com a estudiosa Maria de Fátima Rosolem, da área de Sistemas de Energia do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), essa parte do telefone é constituída por materiais à base de compostos de lítio e solventes orgânicos, estáveis apenas em determinadas faixas de tensão e temperatura.

“Porém, fora dessas condições, eles podem se deteriorar e gerar outros compostos químicos perigosos como, por exemplo, gases inflamáveis e lítio metálico. Em contato com oxigênio gasoso ou umidade, o lítio metálico sofre combustão espontânea, ou seja, pega fogo ou explode por conta da reação térmica”, explica.

Estopim

Algumas situações corriqueiras podem ser estopins para acidentes de grandes proporções, alertam os especialistas. Guardar o celular no bolso da calça ou debaixo do travesseiro ou ainda usar capas de proteção do equipamento inadequadas para o modelo podem impedir que o calor do telefone dissipe, levando ao superaquecimento.

“Muitas vezes é possível perceber que ele está mais quente do que o normal. Nesse caso, o ideal é desligá-lo, retirar da tomada e aguardar até que volte à temperatura ideal, em torno de 35 graus”, afirma Jacqueline Amanda.

O contato com água também é contraindicado, dizem as pesquisadoras. Nesses casos, com a oxidação, as peças podem se incendiar no momento em que o celular for ligado na eletricidade. Já as quedas do telefone podem danificar a estrutura que protege a bateria e facilitar um curto-circuito.