PSDC analisa até expulsão do vereador Wellington Magalhães

Wellington Magalhães é acusado de desvio de recursos de R$ 30 milhões

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Poucos dias após ter mudado de partido, o vereador Wellington Magalhães, investigado em 45 inquéritos pelo Ministério Público mineiro, pode ficar sem legenda. O Partido Social Democrata Cristão (PSDC), do qual o parlamentar faz parte desde 7 de abril, pode expulsá-lo da sigla. Magalhães teve a prisão decretada na última quarta-feira por suposto envolvimento em uma fraude contratual que teria lesado a Câmara de BH e até o fechamento desta edição estava foragido.

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Antes de migrar para o PSDC, o vereador integrava o Partido Trabalhista Nacional (PTN). A troca foi feita no último dia permitido pela legislação para quem vai concorrer às eleições deste ano.

Segundo o presidente do diretório do PSDC em Minas Gerais e vice-presidente nacional do partido, Alessandro Marques, será instaurada uma Comissão de Ética interna para investigar a situação do novo filiado, o que pode resultar em afastamento, desligamento ou expulsão do vereador mineiro da sigla.

“Quando ele nos procurou, disse que não tinha mais espaço no PTN. Até o momento, não havia nada definido sobre a candidatura dele em 2018, no entanto, essa era uma possibilidade considerada pelo PSDC”, disse.
Em nota, o diretório nacional da sigla ressaltou que os ilícitos atribuídos ao vereador foram cometidos anteriormente à filiação dele, o que não compromete em nada os democratas cristãos.

O esquema
No quarto mandato, tendo obtido mais de 13 mil votos nas eleições de 2016, o vereador Wellington Magalhães é apontado como suposto líder da organização criminosa que lesou os cofres públicos em R$ 30 milhões, por meio de um processo de licitação repleto de irregularidades, quando ele era presidente da Câmara.

Com salário de cerca de R$ 10 mil, o parlamentar acumulou patrimônio de R$ 4,6 milhões que inclui mansões, carros importados e um padrão de vida e de gastos incompatíveis com o único vencimento declarado.
Na quarta-feira, seis pessoas foram presas por suposto envolvimento no esquema. Um assessor do político continua foragido.

O primeiro inquérito instaurado a partir de 2016, quando foi deflagrada a Operação Santo de Casa, investigou o processo de licitação que resultou na contratação da empresa MC Com/Feeling, para prestação de serviços de comunicação e publicidade para a Câmara.

Durante as investigações, o Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) detectaram falhas em todas as fases do processo. A primeira delas teria sido um encontro entre Wellington Magalhães e Marcus Vinícius Ribeiro, na sede da agência.

Documentos apreendidos na Câmara em 2016 incluem orientações para aditivos ao valor, a partir de três meses de vigência do contrato.

A rapidez com que foi adjudicada e homologada a licitação também levantou suspeitas. Em menos de cinco dias, o trâmite já estava concluído e, de início, havia uma nota fiscal emitida em nome da empresa Santo de Casa, que foi constituída judicialmente para o esquema, antes mesmo que o resultado da licitação tivesse sido publicado no Diário Oficial do Município (DOM).

Também conforme as investigações, a empresa Santo de Casa prestou serviços pontuais para a Câmara, mediante sub-contratação da agência Feeling. No entanto, valores pagos teriam sido muito superiores aos praticados pelo mercado.
O advogado José dos Passos, que atende ao casal de publicitários Marcus Vinícus Ribeiro e Christiane de Castro Melo, da MC Com, presos na quarta-feira, negou irregularidades no contrato. “Tudo que precisamos da administração é que ela seja célere. Foi uma licitação pública sem irregularidades”, garantiu.
As defesas de Wellington Magalhães e da Santo de Casa foram procuradas ontem, mas não se manifestaram até o fechamento desta edição.

 

Na Câmara de Belo Horizonte, eventual pedido de cassação ainda é tratado com cautela

Até o momento, nenhum dos 41 vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte pediu a cassação do mandato de Wellington Magalhães(PSDC), que está com a prisão preventiva decretada.

Na Casa, poucos são os parlamentares que se dispõem a falar sobre o caso. Um deles é Pedro Patrus (PT), que não escondeu o desconforto pela notícia sobre o colega. “No ano passado, já houve um processo e Wellington Magalhães foi suspenso por dois meses, mas depois retornou às atividades”, lembrou.

No entanto, apesar da lista de acusações, Pedro Patrus afirma que o caso deve ser tratado com cautela. “Temos que esperar a Justiça e não podemos fazer qualquer tipo de julgamento antecipado”, enfatizou. O vereador descarta a possibilidade de um pedido de cassação de mandato, inclusive.

A Câmara de BH não tem uma Comissão de Ética. A assessoria do corregedor, Reinaldo Gomes (MDB), informou que ele só atua em questões internas, o que não é o caso, já que o “problema” de Wellington Magalhães é com a Justiça. (LSM)

Fonte Hoje em Dia
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