Autismo atinge 70 milhões de pessoas no mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 68 crianças nascem com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Foto: Rodrigo Montaldi/DL

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“Descobrimos quando ele tinha dois anos e meio. Hoje, ele tem nove anos e evolui a cada dia”. O relato é de Natália ­Ferreira, mãe de Raphael – um dos 70 milhões de autistas do mundo.
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 68 crianças nascem com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Amanhã é comemorado o Dia Internacional da Conscientização do Autismo. A data foi decretada pela ONU em 2007, visando esclarecer a população mundial.

A fonoaudióloga Renata Caruso, do Grupo de Avaliação Diagnóstica e Intervenção (GADI), acredita que a alta proporção de pessoas com autismo é reflexo de duas coisas. “Antes, não tínhamos esse diagnóstico, então os números eram mais baixos”, comenta. “Além disso, hoje o espectro de características determinantes do TEA também se tornou muito maior”, completa.

Renata e as psicólogas Paola Gianini e Tatiana Lopes trabalharam juntas por muitos anos em uma ONG do Guarujá, especializada em autismo, até que surgiu a oportunidade de montar a clínica GADI.

“Vimos que em Santos não havia uma clínica direcionada para isso e algumas crianças que estavam há anos em intervenção apresentavam pouca evolução”, afirma.
O GADI é uma clínica particular especializada no atendimento de pessoas do Espectro Autista. O consultório foi inaugurado há três anos e conta com uma equipe de psicólogas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogas e pedagogas.

“Trabalhamos de forma interdisciplinar, todas fazem a estimulação das três frentes principais: comunicação, interação social e comportamental”, explica Paola.
Para a psicóloga, disseminar conhecimentos relacionados ao tema é fundamental para que as características do TEA sejam reconhecidas ­precocemente.

“Normalmente, quando os pais percebem um atraso no desenvolvimento da fala, eles procuram por uma fonoaudióloga. Elas acabam sendo ‘a porta de entrada’ para descobrir o espectro autista”, relata Paola.

Foi assim que ­Natália descobriu que o filho tinha espectro autista. “Procuramos uma fonoaudióloga porque ele não falava e foi ela quem nos indicou que ele podia ter o TEA”, comenta. ­Raphael não falou até os cinco anos e também não olhava nos olhos. Hoje, segundo a mãe, ele deu um salto enorme em suas características, mas tudo é conquistado gradativamente.

Segundo a psicóloga, reconhecer apenas na fala já é tardio. “A identificação de sinais da interação social são mais visíveis nos primeiros meses de vida”, comenta.

A mãe de Raphael pede que outros pais não desistam e busquem por tratamento para os filhos, porque quanto mais cedo conseguem ajuda, melhor é o desenvolvimento. O trabalho realizado na clínica, precisa continuar nos outros ambientes. Por isso, os pais recebem orientações sobre os estímulos que têm funcionado no GADI.

Características

“As pessoas criaram um estereótipo para os autistas, mas as características de diagnóstico são muito variadas”, informa Karina Sales, terapeuta ocupacional do GADI.
Segundo as especialistas, se o seu filho não fala; fica girando; anda na ponta dos pés; não faz contato visual; não sorri de volta; é muito quieto quando bebê; usa ferramentas para te mostrar o que quer – como pegar sua mão e te levar, ao invés de falar; pula ou levanta as mãos quando está animado; come apenas certos tipos de comida, como sólidas ou de determinada cor, ele pode ser autista.

“Muitos pais acham que a criança está fazendo birra, mas a intensidade e frequência com que isso acontece pode determinar o autismo”, informa a fonoaudióloga.
Quanto mais cedo o tratamento iniciar, menos características pode apresentar. “Existem pesquisas que dizem que o estímulo do contato visual melhora 50% das outras características”, comenta Paola.

Além disso, os autistas podem apresentar espectro leve, moderado e grave, mas eles não são fixos. Ou seja, uma criança pode nascer com TEA moderado e a partir dos tratamentos chegar ao leve ou vice-versa, eles caminham pelos espectros.

Dominique Silva é apenas dois anos mais velha que o irmão Vitor, mas demonstra muito conhecimento sobre o autismo. Os pais descobriram que Vitor era autista quando ele tinha dois anos.

“Eu queria muito um irmão e quando descobrimos, pensei: Por que Deus me mandou um com defeito? Depois, entendi que ele era um ­presente”, relembra.

De acordo com a terapeuta ocupacional, quando chegou à clínica, Vitor não conseguia mastigar, só aceitava certas comidas e não usava talheres. Agora, ele já consegue realizar essas atividades sozinho. Além disso, evoluiu cognitivamente e motoramente.

“Costumo dizer que o quanto de adaptação ao meio está comprometido é o que determina onde está neste espectro”, informa Gianini. Por esse motivo, elas não querem que eles aprendam cores, números e fórmulas na clínica, mas que ajam da melhor forma em suas relações.

Diagnóstico

“Hoje, as informações sobre autismo estão mais disseminadas, mas ainda faltam profissionais capacitados para realizar o diagnóstico”, comenta Renata.
Na clínica, elas fazem uma avaliação precoce de diagnóstico, com duração média de 30 dias. Toda a equipe participa do processo e, ao final, um relatório com as hipótes é emitido.

Segundo a fonoaudióloga, em uma consulta de 30 minutos com um médico é realmente difícil estabelecer o TEA, porque não existem sintomas físicos determinantes, mas sim características comportamentais.

Ensino

A maior dificuldade encontrada por Natália Ferreira foi a adaptação em escolas. Segundo ela, Raphael passou por fases tão ruins na escola, que chegou ao ponto de não pegar em uma caneta, por conta dos traumas sofridos.

“Eu achei que ele nunca iria escrever, mas aqui no GADI ele superou isso”, comemora Natália.

Um dos trabalhos da clínica é realizar um acompanhamento de inclusão nas escolas.

 

Fonte Diário do Litoral
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