Professor aposta no ‘zap’ para ensinar português

Informações, textos e até reportagens são compartilhados pelos alunos nos grupos do aplicativo

Foto: Wesley Rodrigues

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Uma pesquisa sugere o uso do WhatsApp no aprendizado do português fora da sala de aula. O sistema de troca de arquivos de textos, fotos e vídeos instantâneos foi tema de um estudo recente apresentado no mestrado da UFMG. Além do reforço na formação dos alunos, o trabalho busca incentivar docentes a replicar a técnica em outras instituições.

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O material foi desenvolvido pelo professor Christian Catão, que leciona para estudantes do ensino médio do Colégio Ouro Preto (CPO), no bairro de mesmo nome, na região da Pampulha. O pesquisador conta que percebeu o desinteresse das turmas durante as aulas de gramática e, assim, teve a ideia de utilizar o aplicativo como forma de estimular os jovens.

Grupos com a presença dos estudantes foram criados no WhatsApp. Informações, textos e até reportagens começaram a ser compartilhados, abrindo espaço para dúvidas, esclarecimentos e discussões. Na ferramenta, nada de gírias ou abreviações. Apenas o uso correto da língua portuguesa.

Além do reforço na formação dos estudantes, o trabalho busca incentivar professores a replicar a técnica em outras instituições de ensino, disse o pesquisador responsável

Avaliações posteriores confirmaram a melhora no rendimento dos alunos, segundo o professor. Estudantes mais tímidos, que têm receio de perguntar durante as aulas, foram os mais beneficiados. “Principalmente na redação, que trabalhamos muito com as turmas do 3° ano que farão o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Os resultados surpreenderam”, disse Christian Catão.

Após apresentar os resultados do trabalho na UFMG, o pesquisador desenvolveu uma espécie de manual para guiar outros educadores interessados no uso da ferramenta.

Metodologias

Para a doutora em educação e professora da UFMG Juliane Corrêa, a ação é válida. Iniciativas nesse sentido estão no caminho certo, diz a educadora. Para ela, cada vez mais é preciso testar novidades capazes de envolver os jovens com o conteúdo tratado na sala de aula. “Essas inovações dentro do processo de aprendizado têm um caráter extremamente benéfico”, afirma.

De acordo com a Secretaria de Estado de Educação (SEE), as escolas são orientadas quanto aos cuidados com o uso de celulares, mas não há nenhuma proibição. As tecnologias são vistas pela pasta como ferramentas que fazem parte da vida dos jovens e que podem contribuir para as atividades pedagógicas.

Fonte Hoje em Dia
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