Direito do consumidor: estudo revela que pó de café tem, também, arroz e milho

O método de base molecular identifica o genoma (DNA) dos adulterantes mais comuns. Milho, arroz, soja, cevada e galhos são os principais ingredientes usados para adulterar o pó.

Método identificou outras substâncias presentes ao pó de café. Foto: Fotos Públicas/Divulgação

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu uma nova técnica capaz de detectar em tempo real a presença de substâncias vegetais utilizadas para adulterar o café torrado e moído vendido no varejo brasileiro. O método de base molecular identifica o genoma (DNA) dos adulterantes mais comuns. Milho, arroz, soja, cevada e galhos são os principais ingredientes usados para adulterar o pó.A nova tecnologia foi desenvolvida nos laboratórios da Embrapa no Rio de Janeiro, a pedido do Ministério Público de Minas Gerais, incomodado com as suspeitas de fraude ao consumidor. Os métodos utilizados atualmente são ineficazes porque são baseados apenas na visualização em microscópio de características visuais de cada produto adulterante, moído e torrado junto com o café, o que depende muito da experiência do analista.

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De acordo com os pesquisadores da Embrapa, a nova técnica também apresenta a capacidade de aferir a quantidade de adulterante presente em cada amostra, além de dispor de alta sensibilidade, capaz de detectar até pequenas quantidades de adulterantes no pó. Batizada de PCR, sigla para reação em cadeia da polimerase, a técnica é utilizada em laboratórios de pesquisas médicas e biológicas.

Outro método desenvolvido pelos pesquisadores para detectar fraudes no café é baseado em Cromatografia Líquida de Ultra Eficiência e Espectrometria de Massas, que também oferece resultados rápidos e precisos. Essa técnica identifica os açúcares presentes em cada adulterante-alvo, mas ainda está em fase de validação. Em testes preliminares, ela foi capaz de detectar a presença de apenas 0,2% de adulterante.

O direito dos consumidores foi a principal motivação para o estudo, uma contribuição para a evolução do mercado no País. O Consórcio Pesquisa Café financia a pesquisa, que conta também com recursos da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As pesquisas contaram com o apoio da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Laboratório Nacional Agropecuário em Minas Gerais (Lanagro-MG).

Na Bahia de Jorge Amado…
Na região sul da Bahia, onde a propriedade da terra foi garantida à custa da bala e de muitas mortes, conforme descreveu o baiano Jorge Amado (1912/2001) em ‘Terras do Sem Fim’, viceja o Assentamento Terra Vista, ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

…o exemplo de…
Localizado próximo a Itabuna, ao lado da BR 101, o Terra Vista tem 313 hectares de Mata Atlântica preservados no entorno do Parque Nacional Serra das Lontras.

…convivência pacífica…
O Assentamento possui 300 hectares de cacau-cabruca, e há 18 anos vem realizando a transição agroecológica. O cacau-cabruca é um sistema ecológico de cultivo agroflorestal, construindo uma relação amigável entre o ecossistema e a produção familiar.

…com a natureza rende…
A área foi ocupada no dia 8 de março de 1992 e, depois de cinco despejos, foi decretada de interesse social e se consolidou, em julho de 1994. A conquista dos boias-frias significou uma grande derrota para os latifundiários e coronéis da região do cacau.

…cacau, chocolate e felicidade
No total, são 55 famílias assentadas, que dispõem de duas escolas: a Florestan Fernandes, que oferece o Ensino Fundamental I e II, atendendo 200 alunos dos assentamentos do MST e comunidades vizinhas. E a Escola Estadual da Floresta do Cacau e do Chocolate Milton Santos.

Filosofia do campo:
“Pago o preço de nunca escrever para agradar os poderosos. A solidão, a miséria, nada me abateu, nem me desviou do meu caminho de crítico da sociedade, de repórter incômodo e até provocador. Eu estou no campo. Não corro, não saio…”
Plínio Marcos (1935/1999), dramaturgo santista.

Fonte Diário do Litoral
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