Comércio quer fazer do Dia do Consumidor a Black Friday do início do ano

Rede fez pesquisa que mostra que 81% dos consumidores pretendem ir às compras hoje, atraídos pelas ofertas

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Nova onda do comércio

Situado no calendário entre o Natal e o Dia das Mães – as duas datas mais importantes em vendas para o comércio varejista – o Dia do Consumidor, comemorado hoje, é a nova aposta do setor para fisgar compradores. Varejistas chegam a dizer que o 15 de março tem potencial para transformar-se na “Black Friday do primeiro trimestre”, numa alusão ao evento de mesmo nome realizado em novembro que já se tornou queridinho na lista dos vendedores.

Um dos mais conhecidos sites de comparação de preços, o Buscapé trabalha com uma expectativa de aumentar em até quatro vezes os acessos hoje, em comparação com um dia considerado normal. O Extra, por sua vez, dará descontos de até 50%. Várias outras redes também anunciaram promoções, o que pode mesmo ajudar o comércio a estabelecer mais uma data de incentivo a consumo.

Para o professor de Economia do Ibmec, Felipe Leroy, a estratégia pode ajudar na retomada da economia. “É importante quebrar a insegurança para que as pessoas voltem a ter confiança. Mesmo com necessidades e condições de consumir, o trabalhador deixa de fazê-lo com medo do desemprego, por exemplo” observou.

Para ele, o cenário já começa a mudar. “Os bancos voltaram a emprestar e os saques nas cadernetas de poupança diminuíram. Parece que estamos saindo do fundo do poço, após dois anos consecutivos de recessão”, completou.

O economista acrescenta que, apesar de os níveis de inadimplência registrarem pequenas variações, ainda estão em patamares muito altos. “As classes de baixa renda são as mais sensíveis às quedas na economia. E quando elas perdem o poder de compra, o varejo imediatamente sente o baque”, observa.

Desconhecimento
Apesar de ainda precisarem lidar com o desconhecimento de boa parte da população, os organizadores da nova data citam pesquisas do Google dando conta de que, em 2014, apenas 27% dos consumidores conheciam a Black Friday “original”. Já no ano seguinte, o número saltou para 56%.

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A expectativa do Buscapé é que o comércio eletrônico registre 479 mil pedidos (contando já a partir de ontem), o que significa uma alta de 13,7% em relação ao mesmo período de 2017. Quanto ao faturamento, que no ano passado foi de R$ 224 milhões, a estimativa é de um incremento de R$ 20 milhões.
Para se ter uma ideia, na última edição do Black Friday, em novembro, o e-commerce brasileiro somou 3,76 milhões de pedidos e R$ 2,1 bilhões de vendas, de acordo com dados do Ebit, empresa que monitora o segmento.

A data ainda é muito impulsionada pelo comércio eletrônico, mas as grandes cadeias de lojas de eletrodomésticos e os hipermercados já detectaram tendência em um acréscimo de vendas no período.

De acordo com o Extra, pesquisas internas dão conta de que 81% dos consumidores pretendem realizar compras na data, sendo que quase a metade quer gastar na loja física. As lojas terão descontos que variam de 20% a 50%, dependendo do produto e da categoria. As ofertas valem entre as 7h e a meia-noite de hoje.
As Casas Bahia e o Ponto Frio apostaram no “Mês do Consumidor”, com campanhas publicitárias que começaram no dia 9 e terminam no próximo dia 17.

Nas mais de 750 lojas das Casas Bahia, na compra de um item o cliente ganha outro. Serão sete kits com diversas categorias de produtos mais buscados pelos consumidores. Por razões legais, a venda pelo site tem um sistema diferente: na compra de um item, por mais R$ 0,01, o cliente levará outro produto já selecionado, segundo a empresa.

 

Práticas enganosas e pouca transparência são alertas ao consumidor

Apesar do apelo do setor varejista, é preciso cuidado ao consumir. O alerta é do coordenador do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Marcelo Barbosa. “Na verdade, a data celebra a entrada em vigor do Código de Defesa do Consumidor (CDC), em março de 1991. O comércio é que pega carona para estimular as vendas”, disse.

Ele chama a atenção para algumas práticas enganosas como divulgar promoções sem que, de fato, sejam concedidos descontos ou facilidades de pagamento.
“É como se aquelas condições não fossem se repetir nunca, o que não acontece, pois o comércio precisa de promoções constantes para garantir o consumo”, disse.
A fim de conscientizar os consumidores, o Procon-ALMG vai distribuir exemplares do código a quem for atendido hoje, além de um panfleto no qual chama a atenção para os principais aspectos que costumam ser mais desrespeitados.

Marcelo Barbosa observa que, nos períodos posteriores a datas comemorativas e promoções do tipo Black Friday, aumenta o número de pessoas atendidas pelo Procon.
Segundo ele, têm crescido o número de pessoas que procuram assistência com reclamações sobre dívidas contraídas. “É um novo perfil: aquele que compra sem ter dinheiro, sem precisar e sem ter educação financeira”, definiu.

Transparência
A falta de divulgação do CDC é outro problema, segundo o coordenador jurídico da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Marcelo Morais. Apesar de a lei determinar que todo estabelecimento comercial tenha de manter um exemplar do código para consultas, ele garante que nunca viu um consumidor folheando o exemplar.

“Há muita coisa confusa no que diz respeito às trocas e aos prazos de garantia. Reflexo do desconhecimento do Código”, explicou o coordenador da Fecomércio.
Na Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), o tema “Consumo Legal” também será discutido em reunião hoje entre lojistas e coordenadores dos Procon Municipal e da Assembleia. Desde dezembro, a entidade sustenta que procura conscientizar seus associados para a importância das relações de consumo adequadas.

Fonte Hoje em Dia
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